O Ministério da Saúde anunciou ontem (03) o fornecimento gratuito de medicamentos contra a hipertensão e diabetes pelo programa "Aqui Tem Farmácia Popular". Com a medida, o acesso aos remédios para o controle dessas doenças deve ser ampliado especialmente entre pacientes da rede particular que hoje estão fora dos programas de prevenção oferecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Atualmente, pelo programa Farmácia Popular o governo paga 90% do valor desses medicamentos e o cidadão tinha de arcar com o restante. As 15 mil farmácias e drogarias privadas conveniadas ao programa em todo o País têm até o dia 14 de fevereiro para se adaptar à medida. Qualquer brasileiro pode ter acesso aos medicamentos desde que apresente um documento com foto, o CPF e a receita médica.
Um dos principais problemas de saúde pública no País, a hipertensão arterial acomete cerca de 30% da população brasileira. Chamada de "assassina silenciosa", a pressão alta é traiçoeira porque, normalmente, não apresenta sintomas e só provoca mal-estar quando já prejudicou bastante o organismo. A ausência de qualquer indício de problema faz com que metade dos hipertensos simplesmente desconheçam que estejam doentes. Para a diretora de Atenção Básica à Saúde de Foz do Iguaçu, Lisete Palma de Lima, existe um grande percentual de hipertensos que os programas preventivos não conseguiram ainda alcançar. "Estima-se que 20% da população com mais de 40 anos tenham hipertensão. No município, entre os cadastrados e monitorados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS´s) são aproximadamente 20 mil pessoas, um número ainda bem longe do preconizado pelos órgãos de saúde", afirma.
Em Foz do Iguaçu, o controle e o acompanhamento de pacientes hipertensos pelo SUS são realizados por meio do programa Hiperdia (Programa de Controle e Monitoramento da Hipertensão e Diabetes). O atendimento e o acesso à medicação são gratuitos. "O programa dispõe de uma equipe de médicos e enfermeiros capacitados para atender esse atendimento e é desenvolvido em parceria entre governo federal e Secretaria Municipal de Saúde", conta.
Na avaliação da diretora, a ampliação dos medicamentos gratuitos pelo programa Farmácia Básica é uma boa notícia, pois trata-se, de mais uma opção para o controle da doença. "Quanto mais facilidade as pessoas tenham à medicação e de gratuitamente melhor as possibilidades de tratamento", destaca.
Hoje em dia, três estabelecimentos atendem pelo programa Farmácia Popular em Foz do Iguaçu, segundo a Secretaria de Saúde. A reportagem entrou em contato com deles para saber como deve se ajustar à nova medida. A informação repassada foi de que ainda não foi repassada nenhuma notificação sobre a mudança, o que deve ocorrer nos próximos dias.
Controle da doença
Um dos comportamentos mais comuns que muitas vezes agravam o quadro de hipertensão é que muitos pacientes, mesmo tendo consciência do perigo, acabam interrompendo o tratamento com os remédios porque se sentem bem. Foi o que fez a aposentada Dirce de Lima, 62 anos. "Eu tomei medicamentos por um tempo e depois fui melhorando, me sentindo mais disposta e por isso, parei. Mas depois tive uma crise que não foi tão grave, mas que assustou um pouco", conta.
A hipertensão arterial não tem cura e, se não for controlada, ao longo dos anos pode trazer como consequência problemas graves como derrames, doenças do coração – entre elas infarto, insuficiência cardíaca e angina (dor no peito) -, insuficiência renal ou até falência dos rins, e alterações na visão que podem causar cegueira.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 900 mil hipertensos e diabéticos devem ser beneficiados com a medida de disponibilizar a medicação gratuitamente pelo programa Farmácia Popular. Segundo o Ministério da Saúde, a oferta gratuita desses remédios só foi possível graças a um acordo negociado entre o governo e o setor farmacêutico. No total, o programa inclui outros 21 medicamentos.
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