Tem início neste domingo (6), a partir das 8 horas, no auditório da 9a Regional de Saúde, um curso sobre fantoches especialmente para agentes comunitários de Saúde de Foz do Iguaçu, Guarapuava e da região. O objetivo é especificamente trabalhar na confecção de bonecos (fantoches) e em textos de teatro com enfoque na hanseníase, doença ainda muito presente no país. A promoção é da Secretaria de Estado da Saúde/9a Regional de Saúde.
A idéia é trabalhar a doença de forma lúdica, eliminar preconceitos e alertar as pessoas para os sintomas, momento ideal para procurar os serviços de saúde nos municípios, já que o tratamento gratuito está disponível pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A oficina que acontece também nos dias 7 e 8, acontece sempre das 8 às 19 horas e estará sendo ministrada por uma organização não-governamental.
Segundo Laura Cirilo, da coordenação do PSF/Foz, “a proposta é que estes agentes multipliquem informações sobre a doença, que ainda é vista com muito preconceito”. Em Foz do Iguaçu o tratamento é ofertado de segunda à sexta-feira, a partir das 8 horas, no prédio do CEM, na Avenida Paraná, 1525. Em Foz do Iguaçu foram registrados no ano passado 65 casos da doença. Este ano o número é de 40 casos até agora.
A hanseníase, conhecida oficialmente por este nome desde 1976, é uma das doenças mais antigas na história da medicina. É causada pelo bacilo de Hansen e Microbacterium leprae, um parasita que ataca a pele e nervos periféricos, mas pode afetar outros órgãos como o fígado, os testículos e os olhos.
Com período de incubação que varia entre três e cinco anos, sua primeira manifestação consiste no aparecimento de manchas dormentes, de cor avermelhada ou esbranquiçada, em qualquer região do corpo. Placas, caroços, inchaço, fraqueza muscular e dor nas articulações podem ser outros sintomas.
Com o avanço da doença, o número de manchas ou o tamanho das já existentes aumentam e os nervos ficam comprometidos, podendo causar deformações em regiões, como nariz e dedos, e impedir determinados movimentos, como abrir e fechar as mãos. Além disso, pode permitir com que acidentes ocorram em razão da falta de sensibilidade nessas regiões.
O diagnóstico consiste, principalmente, na avaliação clínica: aplicação de testes de sensibilidade, força motora e palpação dos nervos dos braços, pernas e olhos. Exames laboratoriais, como biópsia, podem ser necessários.
Esta doença é capaz de contaminar outras pessoas pelas vias respiratórias, caso o portador não esteja sendo tratado.Entretanto, segundo a organização Mundial de Saúde, a maioria das pessoas é resistente ao bacilo e não a desenvolve.
Aproximadamente 95% dos parasitas são eliminados na primeira dose do tratamento, já sendo incapaz de transmití-los a outras pessoas. O tratamento dura um ano e o paciente pode ser curado desde que siga corretamente os cuidados necessários.
O tratamento e distribuição de remédios são gratuitos e, ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, em face do estigma que esta doença tem, não é necessário o isolamento do paciente. Aliás, a presença de amigos e familiares é fundamental para sua cura.
Durante este tempo, o hanseniano pode desenvolver suas atividades normais, sem restrições. Entretanto, reações adversas ao medicamento podem ocorrer e, nestes casos, é necessário buscar auxílio médico.
Segundo a OMS, nosso país é líder mundial em prevalência da hanseníase. Em 1991, foi assinado pelo governo brasileiro um termo de compromisso mundial, se comprometendo a eliminar esta doença até 2010. Entretanto, a cada ano, há mais de quarenta mil novos casos tendo, entre eles, vários indivíduos em situação de deformidade irreversível.
Serviço:
Contatos com Laura Cirilo, Chefe da Divisão do Programa Saúde da Família do município
Telefone 3521 1772
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