terça-feira, 17 de agosto de 2010

Abstinência alcança 90% dos pacientes do Caps ad

"Senti medo de morrer", declarou W.L. 27 anos, ao explicar porque aderiu ao tratamento de combate ao uso de drogas. Morador de rua desde os 12 anos, W.L. foi preso duas vezes, abandonou a família e perdeu a oportunidade de estudar e trabalhar. Tudo por conta do crack e da cocaína – vício que abandonou há cerca de três meses, quando recebeu abrigo no Projeto Mão Amiga e deu início ao tratamento psicológico no Centro de Atendimento Psico Social – Álcool e Drogas (Caps/AD), de Foz do Iguaçu. Assim como ele, milhares de jovens em todo o Brasil sofrem com a dependência da droga. Para combater a doença – também responsável pela criminalidade - o poder público e entidades representativas somam esforços no tratamento a dependentes químicos.

Em Foz do Iguaçu, o Caps AD funciona como ‘porta aberta’ para qualquer pessoa que tenha o interesse em mudar de vida. Presente desde 2006 no município, a instituição atende todos os dias cerca de 40 dependentes químicos de álcool e drogas, com idade entre 25 a 40 anos.

A maioria dos pacientes que realizam tratamento na instituição é encaminhada judicialmente, por unidades de saúde ou através de outras entidades. Há também a possibilidade de a pessoa procurar o local por conta própria para iniciar o tratamento. No local, são oferecidos oficinas terapêuticas ocupacionais, atividades físicas, grupos psicoterápicos e grupos de cidadania. Todas as atividades desenvolvidas são acompanhadas por enfermeiros, terapeutas ocupacionais e psicólogos. Caso exista a necessidade de avaliação clínica, o paciente é encaminhado às unidades de saúde do município.

Avaliação

Conforme explicou a coordenadora do Caps/AD, a psicóloga Márcia Dias Lima, a maioria dos usuários que aderem ao tratamento alcançam num curto espaço de tempo (entre 30 a 60 dias) a abstinência total. "Quando se fala em dependência química - seja o álcool ou a droga - não se fala em cura. Porque a pessoa – mesmo em abstinência – sempre será dependente", explicou. Segundo a coordenadora, o fator responsável pelo índice de 90% de abstinência dos pacientes é o trabalho de prevenção e conscientização desenvolvido pela unidade. "O Caps atua para desenvolver a responsabilidade e a consciência do usuário, mas é ele quem vai escolher se quer ser um dependente químico ou se vai ser uma pessoa em abstinência. Tenho a opinião de que os usuários estão mais conscientes", declarou.

Sociedade

A facilidade em adquirir drogas, especialmente na região de fronteira é outro aspecto debatido entre os pacientes. "Vivemos em uma sociedade onde eles precisam aprender a lidar com a disponibilidade da droga. Eles devem reconhecer as situações de risco, saber lidar com a vontade e optar. Esta vai ser sempre uma escolha independente", complementou.

Família

Outro ponto debatido na questão do tratamento, é o apoio familiar que segundo os especialistas, é fundamental para a recuperação. "A família precisa estar presente e frequentar grupos de apoio para que elas entendam cada caso e possam dar atenção necessária em cada caso", concluiu.

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