Um café da manhã entre representantes do Rotary Club Foz do Iguaçu, Itaipu Binacional e do Hospital Ministro Costa Cavalcanti (HMCC) marcou ontem o sexto ano do Banco de Leite Humano naquela unidade de saúde. Criado por iniciativa do clube de serviço, a instituição foi implantada inicialmente na antiga Santa Casa Monsenhor Guilherme por volta de 2000, com uma estrutura menor. Com a extinção da Santa Casa, o serviço foi transferido para uma residência doada pela Itaipu Binacional em frente ao HMCC em 25 de março de 2004, onde está até hoje.
Estratégia do Ministério da Saúde para diminuir a mortalidade infantil, o Banco de Leite Humano tem como principal meta atender, sobretudo as crianças internadas em UTIs neonatais. Por meio do fornecimento do produto, a meta é promover a estes recém-nascidos uma maior chance de sobrevivência e qualidade de vida.
"Nosso trabalho, como laboratório de leite, começa no momento da captação de doadoras. Por isso, precisamos sensibilizar as mulheres que têm leite sobrando a retirá-lo. Elas passam a ser nossas doadoras, fazemos o cadastro, vamos até a residência buscar o material, levamos frascos adequados para colher, etiquetas e orientamos", resumiu a coordenadora do local, enfermeira Roseli Cristiane de Oliveira, ao explicar como se inicia o processo. De acordo com ela, três vezes por semana, um carro cedido pela Itaipu vai até a casa das doadoras para o recolhimento.
Pasteurização
Após a coleta do leite na casa da doadora, o material passa por uma série de procedimentos para garantir sua qualidade, já que servirá de alimento aos bebês. Dentro do processo, está a pasteurização, que elimina microrganismos que possam existir. Além disso, são feitos testes como o de acidez, de verificação de calorias e de gordura. Também é enviada uma mostra de cada frasco de leite para o laboratório, para uma série de análises. Todo o processo dura de sete a dez dias, desde a saída da casa da doadora até a entrada na UTI neonatal.
Desde que foi instalado em frente ao Hospital Costa Cavalcanti, o Banco de Leite Humano de Foz atendeu 6.070 mães, que têm dificuldade de amamentação e que buscam o órgão para orientação ou apoio. Além destas, no mesmo período, outras 3.185 doadoras se dispuseram a repassar o leite que produziam em excesso. Desde março de 2004 a março deste ano, os funcionários realizaram 6.275 visitas domiciliares. Todo o trabalho resultou na produção de 5.215 litros de leite, que ajudaram a manter a qualidade de vida e bem-estar de 2.286 crianças.
Fornecido principalmente para a UTI Neonatal do HMCC, o produto oferecido pelo Banco de Leite auxilia no salvamento da vida de bebês de toda a região, já que a unidade é a única com UTI-Neo credenciada pelo SUS nesta área. "Então, na verdade, atendemos ao Costa, mas o Costa atende toda a região. Além de algumas situações de outras unidades específicas".
Dificuldades
Para ser doadora, a mulher deve produzir leite excedente e não estar em tratamento com medicamentos que passem pelo produto — os quais são informados pelos funcionários do local. Mesmo com a facilidade, há dificuldades para obtenção de doadoras. "Eu acredito que ainda precisa ter um envolvimento maior de toda a classe de saúde que atende esta mãe para incentivá-la e também orientá-la. Muitas vezes, a mãe tem muita vontade de amamentar, mas tem dificuldade e às vezes não recebe orientação adequada, e isso a impede até de amamentar, logo, ela também não poderá ser doadora".
Mensalmente, a produção do Banco de Leite Humano varia entre 70 litros até 170 litros — em épocas onde há grande número de doadoras. No entanto, nos últimos meses, a média ficou em torno de 85 litros. Após ser coletado, o material deve ser pasteurizado em até 15 dias. Depois deste processo, a validade sobe para seis meses, se o produto for congelado.
Para ser doadora, a mulher pode entrar em contato com o Banco de Leite Humano, por meio do telefone 3576 8000.
Rotary
O Banco de Leite Humano nasceu da iniciativa do Rotary Clube Foz do Iguaçu. "O Rotary tem o objetivo de criar projetos e ações que beneficiem a comunidade. Na época (por volta de 2000), a ideia foi fazer alguma coisa que ajudasse, pois acredito que naquele período havia muita mortalidade infantil. Por isso, o Rotary achou por bem criar alguma coisa (neste sentido)", explicou a presidente do clube de serviço, Valdirlei Tombini Baranoski.
Atualmente o Rotary segue apoiando o banco, por meio da ajuda na compra de aparelhos e na manutenção.
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