sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Entidades se unem por mais repasse para Saúde

A Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu (ACIFI), a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), o Iguassu Convention & Visitors Bureau, o Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Foz do Iguaçu e Região (Sindilojas) e o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Foz do Iguaçu (Sindhotéis) uniram-se à prefeitura na luta por maiores repasses do Fundo Nacional de Saúde (FNS) a Foz do Iguaçu.

As entidades enviaram um ofício assinado conjuntamente por todos os seus representantes ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendendo o aumento no valor da cota destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS) do município, bem como destacando as justificativas para tal pedido.

Conforme foi destacado no documento, Foz do Iguaçu possui uma importância estratégica no contexto do Mercosul, dada sua localização geográfica de fronteira com o Paraguai e a Argentina. "As entidades que subscrevem esta carta defendem, em quaisquer circunstâncias, que o bem-estar social é fundamental, inclusive para a sustentação das relações de desenvolvimento econômico de um país ou uma região", diz o ofício. Desta forma, a diretoria da ACIFI, na pessoa de Rudiney Alamini, elencou uma série de razões pelas quais Foz deveria ter mais atenção do Ministério da Saúde.

A primeira delas ressalta que "Foz do Iguaçu, pela sua vocação natural, atende a mais de um milhão de turistas anualmente. Este segmento é extremamente significativo para a economia da cidade e, em função disso, os equipamentos de saúde são, frequentemente, utilizados pelos visitantes que necessitam desta assistência". Além disso, o documento frisa: "Dentro do processo de integração preconizado pelo Mercosul, a saúde pública de Foz do Iguaçu tem sido, ao longo dos anos, referência de assistência para os povos irmãos da Argentina e do Paraguai, e principalmente para os brasileiros que residem no Paraguai, popularmente classificados como ‘brasiguaios’."

Outro motivo apontado pela carta é que, "tendo ainda a integração regional como foco de desenvolvimento socioeconômico, Foz do Iguaçu não se furta do atendimento a centenas de paranaenses de outros municípios da Região Oeste que buscam atendimentos diversos, de média e alta complexidade, na estrutura existente no nosso município".

Neste contexto, o ofício ressalta a discrepância entre os valores transferidos pelo FNS a Foz do Iguaçu em relação a outros centros urbanos que sequer possuem as peculiaridades da fronteira. O número mais contrastante é o que compara Foz a Pato Branco. Enquanto Foz do Iguaçu, com uma população estimada de 310 mil habitantes — considerando-se apenas os residentes —, recebe em média R$ 10,51 por habitante mensalmente, Pato Branco (cuja população é estimada em quase 70 mil pessoas) conta com uma cota de R$ 26,26 por habitante/mês.

As divergências também dizem respeito às cidades de Maringá, Campo Mourão, Londrina e Curitiba, onde o sistema de saúde também é administrado pela gestão plena. Nenhuma delas recebe menos que R$ 18 por habitante mensalmente. O detalhe é que o financiamento de assistência hospitalar, que deveria ser tripartite (União, Estado e Município), em Foz é mantido apenas com recursos federais (47%) e municipais (53%).

Segundo frisou o presidente do Sindhotéis, Carlos Silva, "como estamos fortemente ligados no turismo, acreditamos que a preocupação com a saúde deveria ser da mesma forma: com a união de todas as sociedades civis e organizadas". De acordo com ele, a assinatura do ofício visa "sensibilizar o ministro para avaliar a questão do recurso repassado para Foz. Porque, além dos turistas, temos os brasiguaios e os argentinos que circulam por aqui diariamente, e que porventura podem passar mal ou sofrer um acidente".

Silva ressaltou que, "como estamos tendo êxito na unificação de parcerias, com grandes resultados no turismo, estamos dando um apoio para a prefeitura na questão da saúde, porque alivia a carga da prefeitura para esse setor, e teremos mais recursos para investir no turismo, aumentar a visitação, colocar em destaque o Destino do Mundo".

Segundo ele, pelo baixo investimento em saúde na cidade, o município tem de arcar com a maior parte das despesas e "consequentemente falta investimento em outras áreas". "Por isso estamos dando esse apoio. Entendemos que é de extrema importância. Tudo que é uma boa causa tem o apoio das entidades do turismo para que se fortaleça", encerrou.

Segundo o presidente da ABIH, Mauro Sebastiany, "queremos que continue tendo serviços de qualidade na saúde para os turistas. Já melhorou muito o atendimento à saúde nos últimos anos, e temos elogios dos turistas, mas temos de melhorar cada vez mais para poder atender bem".
Por Mayara Godoi, GI.

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